sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SANTOS PECADORES


A realidade mais impressionante em minha vida Cristã é que Deus usa santos pecadores ou pecadores santos para realizar seus planos e propósitos.

Não cresci num lar Cristão. Vim a conhecer o Senhor quando tinha 18 anos. Até aquele momento eu praticamente não sabia nada da Bíblia,muito pouco sobre Deus e sobre Jesus; tinha uma noção de igreja muito, eu diria, folclórica e um monte de religião que não servia para nada.

Mas logo me envolvi ou fui envolvido na obra da igreja. Lembro-me que sempre me debatia com a realidade de que eu ainda era um pecador. Nos Domingos ouvia uma boa lição do púlpito e durante a semana tentava colocar em prática o que havia ouvido. Mas via de regra não conseguia, e, se conseguisse, era sempre uma conquista parcial,
acompanhada de um certo sentimento de hipocrisia.

Algumas lições que ouvia não me ajudavam a lidar com esta realidade brutal de que em mim habitava o Espírito de Deus em constante batalha com o inimigo, que por via de regra era até ajudado por mim.

Mas a obra precisava ser feita. A igreja estava em seus passos iniciais. Não havia tempo a perder. Visitas, grupos de jovens, necessidades de pequenas congregações no interior e o pecador santo foi fazendo a obra, mas sempre com a noção presente de que eu perdia muitas batalhas para o inimigo.

Esta realidade me acompanhou por todo o meu ministério. Trinta e dois anos de trabalho em dedicação total ao reino. Quedas. Mas me levantava. Retrocedia. Mas ia em frente. Pergunta cruel, “até quando o Senhor continuará me usando na sua obra”?

Há uns anos atrás ouvi uma lição ou li algo sobre Abraão e Sara que me ajudou. Paulo fala tão bem de Abraão e Sara, bem como todos os Judeus dos tempos Bíblicos. Mas quando você vai examinar a vida deles o quadro não é tão bonito assim. Abraão mentiu para os Egípcios dizendo que Sara era sua irmã, para não perder a vida, e Sara aceitou a mentira do marido. Duvidaram da promessa de Deus, tanto Sara quanto Abraão, quando Sara deu a serva Agar para Abrão ter um filho com ela, e quando ele aceitou. Depois Sara riu sarcasticamente quando os mensageiros enviados a sua casa confirmaram que ela ficaria grávida na velhice.

Existem muitos outros “heróis” dos tempos Bíblicos sobre os quais ensinamos na escola dominical as crianças, mas infelizmente só ensinamos parte da estória. Só ensinamos sobre as conquistas, as grandes obras para Deus, e com certeza é uma visão parcial. Será que não estamos ensinando uma mentira? Com certeza não ensinamos tudo o que a Bíblia diz sobre este ou aquele personagem. Com certeza eu não faria algumas das coisas que eles fizeram. Gideão, Sansão, e até Davi e Salomão fizeram coisas terríveis.

E quando passamos só este lado da informação às crianças e aos jovens estamos por um lado criando uma imagem falsa de que, para servir a Deus, tem de ser um herói ou alguém muito bom. Como se existisse tal pessoa!

Lendo um livro que fala sobre este assunto, vi como é que Deus opera. Traduzo a seguir um parágrafo deste livro.

“Misturado às grandes vitórias de Sansão contra os Filisteus estava o seu aparente livre envolvimento com prostitutas.. Após se vingar da morte de sua primeira esposa, Deus usou a fraqueza de Sansão pelas mulheres Filistinas envolvendo-o em situações onde ele tinha que matar centenas de guerreiros Filisteus para escapar das encrencas.
Embora ele tenha conquistado muitos inimigos por causa da sua força, suas motivações não eram mais elevadas do que luxúria, ciúmes e vingança… Será que Deus não poderia ter instilado algo mais elevado em Sansão como motivação – algo com mais caráter? … Ele provavelmente poderia, mas não o fez. … mas, a realidade é que Deus libertou seu
povo através de um homem pecador que tinha um comportamento que pouco se importava com a coisa certa a ser feita. … E o Espírito de Deus se associou com este tipo de comportamento irresponsável. Leia a Bíblia e tente explicar. ... Isto significa que Deus apóia estas coisas?
Claro que não. Isto significa que Deus pode realizar seus propósitos apesar destas coisas? Com certeza Ele o faz.”*

Hoje me sinto bem melhor sabendo que Deus não tem plano melhor para me substituir na sua obra. Ele vai me usar apesar de mim mesmo. Ele vai me usar bem no meio dos meus erros. Vai até usar meus erros para a glória Dele.

“O fato das Escrituras estarem cheias de trapaceiros, assassinos, covardes, adúlteros e mercenários me chocava. Hoje é uma grande fonte de conforto”. ( Bono, do grupo U2)** (Por favor leia 1 Cor. 1:27-29)

Deus não aceita nossas desculpas de que não somos capazes por causa do nosso caráter fraco, nossa moral às vezes dúbia, nossa ética falha. Ele vai nos usar apesar de todas as nossas falhas. Sabe por quê? Porque não existe ninguém sem pecado. Só existem aqueles que querem trabalhar para o Senhor e aqueles que não querem.

É isto uma licença para pecar? Nós que somos Dele sabemos a resposta.
Nem precisamos elaborar sobre isto. Seja disponível. Isto basta.

por Alvaro Mello

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Palavras de CS Lewis

sábado, 17 de outubro de 2009

Logan, The sky angel cowboy

O menino é mais sábio que nós todos juntos...
Logan é um garotinho que ligou para uma rádio certa manhã, para dar um recado importante para o mundo inteiro:


via @kleytonpessoa

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O sentinela e as rosas

É uma história antiga. Sua veracidade não pode ser facilmente verificada, mas, seu ponto ainda é poderoso.

Conta-se que, anos atrás na Rússia, um czar encontrou um sentinela sozinho num canto esquecido dos jardins do palácio. “O que é que você está guardando”? perguntou o czar. “Eu não sei. O capitão me mandou para este posto,” o sentinela respondeu.

O czar chamou o capitão. A resposta dele foi “Os regulamentos escritos especificam que um guarda tem que ser posto para cuidar daquela área.” O czar ordenou uma busca para descobrir porque. Os arquivos finalmente revelaram a razão. Anos antes, Catarina a Grande havia plantado uma roseira naquele canto. Ela ordenou que um sentinela a protegesse durante a noite.

Cem anos mais tarde, sentinelas ainda guardavam o canto vazio.

Tradição. Muito daquilo que fazemos é feito meramente porque é o que sempre fizemos. É o que nossos pais e avós fizeram. É o que sempre fizemos. É não há nada de errado com a tradição em si. Você provavelmente tem algumas tradições na sua família envolvendo São João ou Natal, e muitas outras áreas da vida cotidiana.

Até nas nossas congregações temos tradições, coisas que temos feito do mesmo jeito há décadas. No entanto, há dois problemas possíveis com tradições.

Primeiramente, é possível fazer algo de uma certa maneira por tanto tempo que colocamos a nossas tradição no mesmo patamar que a Palavra de Deus (um problema que os fariseus tinham).

O segundo problema é inerente à própria tradição. É como o sentinela. Podemos fazer coisas sem pensar no porquê de fazê-las. Pode ser que houve um bom motivo em certa época, mas, se não temos mais aquele motivo, ficamos apenas com um ritual, um “fazer por fazer”, sem nenhum sentido significante.

Jesus criticou seus contemporâneos por isso:

E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecerem às suas tradições! … Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa”. (Marcos 7:8,13)

de Alan Smith

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O tapete

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Notícias do campo missionário

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A torta

domingo, 6 de setembro de 2009

UMA HISTÓRIA DE AMOR A DEUS

Iniciado em Hernhut, Alemanha no século 18, o movimento de oração continua (24 horas) chamado Moravianos durou por quase 100 anos, e eles não oravam por aquilo que não estavam dispostos a ser a resposta.
Dois jovens Moravianos, de 20 anos ouviram sobre uma ilha no Leste da Índia cujo dono era um Britânico agricultor e ateu, este tinha tomado das florestas da África mais de 2000 pessoas e feito delas seus escravos, essas pessoas iriam viver e morrer sem nunca ouvirem falar de Cristo.
Esses jovens fizeram contato com o dono da ilha e perguntaram se poderiam ir para lá como missionários, a resposta do dono foi imediata: " Nenhum pregador e nenhum clérico chegaria a essa ilha para falar sobre essa coisa sem sentido". Então eles voltaram a orar e fizeram uma nova proposta: "E se fossemos a sua ilha como seus escravos para sempre?", o homem disse que aceitaria, mas não pagaria nem mesmo o transporte deles. Então os jovens usaram o valor de sua propria venda para custiar sua viagem.
No dia que estavam no porto se despedindo do grupo de oração e de suas familias o choro de todos era intenso, pois sabiam que nunca mais veriam aqueles irmãos tão queridos, quando o navio tomou certa distância eles dois se abraçaram e gritaram suas ultimas palavras que foram ouvidas:
"QUE O CORDEIRO QUE FOI IMOLADO RECEBA A RECOMPENSA DO SEU SOFRIMENTO".
Estou convencido que não devo orar se não estou disposto a ser resposta pelo o que estou orando. "... Deus é poderoso pra fazer muito mais.... de acordo com Seu poder que opera em nós" (Ef. 3:20)

Fonte: Voltemos ao evangelho

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O que é a igreja?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

One Time Blind

One Time Blind é um coletivo artístico de 4 jovens, eles usam suas habilidades artísticas para envolver as pessoas na palavra de Deus, de um jeito contemporâneo.
Assista a alguns vídeos deles, dão idéia para muitos sketches.

Lord Lord


Live in me


Not my problem


I'm here


More Coke


Red Balloon


Comfort


The Stool


Dica do Solomon1

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estágio 1 de loucura A



Minha história começou em um dia, mais precisamente há um ano atrás. Conhecia um rapaz, achava ele interessante e bonito, mas sabia que algumas coisas na personalidade dele poderiam se tornar um grande problema se eu partisse pro abraço! Eu pensei inúmeras vezes no que eu estava fazendo, até decidir pelo sim, quando ele me pediu em namoro eu o correspondi e ali tivemos nosso primeiro abraço, já como namorados.

Nessa época minha vida espiritual já estava de pernas bambas, e eu não estava ligando muito pras minhas precipitações, eu pensava: ah, já que Deus não me deu um namorado, eu tento fazer que com esse dê certo, até porque eu gostava (gosto) dele. Só que as coisas não são bem fáceis como parece, a realidade é que não existe nada mais complexo nesse mundo que o ser humano, e às vezes ele é de uma ignorância tão grande que impressiona.

Esclarecendo mais as coisas, eu era uma garota, que apesar daquele momento de frieza espiritual no qual vivia, estava envolvida com ministérios e com Deus, principalmente com Ele. Não sei dizer ao certo quando esse elo entre eu e o meu Pai foi quebrado, só sei que faz tempo… Long time! Já o garoto em questão, meu namorado, sempre se disse ateu, prontamente contrário a qualquer coisa que tivesse ligação com a igreja ou Deus. Nos primeiros meses foi difícil lidar com esse aspecto da personalidade dele, porque eu tentei puxá-lo para igreja comigo, para viver e prestigiar da mesma fé que eu. Mas… Não deu muito certo. Acabei me decepcionando muito, porque estava tentando fazer o papel de Deus, eu queria porque queria converter uma pessoa a Deus, eu queria convencê-lo do que eu considero verdade pra mim… Mas como eu já disse, não há nada mais complexo no mundo que o ser humano, e ele é de uma ignorância que comove. Não… Não estou falando só do meu namorado, estou falando de mim e de qualquer outra pessoa que age como tapada. No caso, a ignorante em questão pode-se dizer que era eu, a intenção era boa… Afinal, estava fazendo aquilo por amor, mas por outro lado não enxerguei o pensamento dele, no quanto seria difícil mudar pensamentos, conceitos e postura em três estralar de dedos.

Conversão não é uma mágica, é um processo… Às vezes ele pode ser simples, se a pessoa já tiver uma abertura natural para as coisas de Deus, mas outras vezes ele pode ser difícil demais, ou quem sabe, dependendo de quem for impossível. Pois, Deus só pode agir em um coração que se abre pra Ele; nunca invade ou arromba os corações, pois, o Pai que eu conheço é bastante educado.

Meses passaram-se, e frieza para como eu estou agora é pouco, na verdade, é algum adjetivo muito carinhoso para um ser completamente petrificado. Eu posso até dizer que estou seca por dentro, mas é só começar a falar de Deus, do meu passado, dos meus milhões de visíveis erros, das minhas burradas, do meu natural afastamento de Deus, que eu choro. Choro com poucas lágrimas, prendendo-as bem no coração e engolindo-as com força, como se elas retorcessem dentro da minha garganta, fazendo um nó enorme… Dilacerando meu coração por completo. Então, respiro fundo, e tento achar espaço na imensidão dos meus pensamentos para continuar digitando este documento. Preciso de força… Você, meu leitor inexistente, precisa saber disso e torcer por mim, ok?

Um ano… 12 meses… Não sei quantas semanas, dias, horas, segundos… E durante todo esse tempo, não deixei de pensar nas minhas escolhas, na minha vida, e na dor que continuo sentindo mesmo quando há sorriso em meus lábios. Sei que é impossível alguém compreender o que outra pessoa está sentindo, mas Deus sabe o quanto eu gostaria de poder converter toda essa difícil situação para uma coisa estável e feliz.

Amo o Roger, mas ele me deixa tão triste às vezes e isso me trás dúvidas a respeito da nossa felicidade, se algum dia no futuro decidirmos nos casar. Às vezes eu penso tanto nisso que fico longe… Como se minha mente me tele transportasse para outro universo, pois, algumas atitudes dele não me transmitem muita maturidade e nem compreensão. É… Às vezes ele age como uma criança, e isso me irrita!

Perdi muitos amigos nesse período de tempo, pode-se dizer que não tenho mais nenhum amigo nesse mundo. Excluindo minha família eu estaria completamente sozinha e descartada… Eu olho pros lados e não vejo ninguém que compreenda essa minha dor, alguém que possa me ajudar, me corresponder e me dar conselhos bons. A vida tem sido tão difícil que às vezes dá vontade de desistir dele… Sei que isso pode ser uma coisa horrível para nós dois, sei que nós iremos sofrer muito com isso… Mas tenho medo que essas situações que se levantam se agravem e eu viva o resto da minha vida infeliz… Porque fiz as escolhas erradas.

Preferiria decidir me separar dele agora, antes que nos comprometamos com algo mais sério, como por exemplo, um casamento, daí tudo dê errado e a gente sofra mais ainda. Pensei muito nisso esses dias… E isso tem tirado meu sono… Não sei se conseguiria viver sem ele na minha vida, pois, me sinto muito ligada, como se ele fosse parte da minha carne e da minha alma.

Eu preferiria não estar escrevendo isso hoje… Se ao menos eu tivesse pensado antes de dizer sim, antes de ter me envolvido… Se eu tivesse me dirigido a Deus de forma sincera, pedido uma direção, sei lá. Mas nada disso foi feito, botei os pés pelas mãos e hoje vivo a mercê de um abalo a cada pequeno tropeção. Não vou dizer que não gostei da parte boa que acabei não descrevendo aqui, afinal de contas o amor entre nós nasceu e cresceu como uma linda flor. Criamos o nosso próprio mundo idealizado, mas a real, é que ele nunca vai se adaptar ao meu mundo de origem, o mundo que eu luto para voltar um dia a habitar… E eu nunca vou me adaptar ao dele. Virar as costas definitivamente para Deus e viver uma vida com o Roger, somente para ser “feliz”? E será que eu conseguiria? Será que eu conseguiria negar tudo que eu vivi e sei que é real, por conta do meu amor por ele? E ele? Até que ponto ele iria por mim? Até que ponto ele se esforçaria para se adaptar ao meu mundo?

As coisas estão muito bem pra ele agora, que eu não faço nada na igreja, que eu vivo em função dele, mas e quando eu decidir voltar a ser o que eu era? E quando eu quiser me fortalecer em Deus? Ele fará como todas às vezes, amolecerá meu coração para sempre ficar do lado dele e deixar Deus “pra lá”. Não acho essa vida justa, nem comigo e muito menos ainda com Deus. Já o abandonei vezes demais; já magoei o coração do Espírito Santo tantas e tantas outras vezes, e tudo isso me levou pra onde? Para uma queda cada vez mais forte, para uma vida de insatisfação, vazio e aquela sensação de que ‘coisas’ estão faltando na minha vida. PORQUE ESSA NÃO É A MINHA VIDA! ISSO NÃO É A MINHA VIDA! EU NÃO QUERO MAIS VIVER ESSA VIDA, EU DESISTO, DESISTO, DESISTO, DESISTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! Pensei, pensei, pensei, pensei, e estou abrindo os olhos para algo muito maior…

Voltarei para Deus se Ele ainda me quiser, voltarei para minha vida real, voltarei a respirar o ar puro, a vitalidade em si. Cansei de abdicar de Deus e o mundo para fazer uma pessoa feliz, sem que essa pessoa se preocupe se eu estou feliz… Espero que eu esteja certa meu Deus… Ou cometerei o maior e pior erro de toda a minha vida.

P.S.
As escolhas erradas podem nos levar há verdadeiros abismos, e o que eu digo para outras pessoas é que tomem sempre cuidado ao darem um passo, seja ele qual for. A pessoa que mais nos ama no mundo é DEUS e quando deixamo-Lo fora de nossas vidas, é como se Ele olhasse pra nós com muita tristeza e dissesse: Se é isso que você quer, vá em frente… Mas eu tinha algo muito melhor para você.


fonte: http://qualocaminho.com/

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Carta de DEUS para você

Esse é um vídeo muito bom, o autor pega trechos das Escrituras e faz uma carta de Deus para nós.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

U2 e a igreja chamada vertigo


“Hello, hello! I’m at a place called vertigo...” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso.

Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de comportamento. Enquanto isso, o “Você também” do U2 prefere incluir.

Não sei se a maioria quer enxergar o miolo da questão, se quer tocar a alma desses artistas. Aos que desejam isso, sugiro uma leitura atenta das músicas. O U2 fala, principalmente, da loucura da vida moderna, das nossas cidades, da ausência de sentido das guerras, das conquistas, dos fracassos. Num mundo vertiginoso, eles procuram algo que os faça “sentir” –é o que diz “Vertigo”. Mas é também o que diz “I still haven’t found what I’m looking for”, na qual Bono canta a sua busca por entender o sentido da condição humana.

As cidades sem nome, onde as luzes cegam, os arranjos eletrônicos que causam estranhamento... São esses os cenários desenhados pelo U2 em seu lamento pela tristeza do mundo, que vem desde o domingo sangrento de “Sunday Bloody Sunday”. A crítica musical muitas vezes o classifica como piegas. Porém a maneira como os irlandeses se colocam no hit parade, carregados de influências que vão dos Beatles aos punks Ramones, apresentando criações originalíssimas e baladas que marcam gerações, é surpreendente. Em todas as letras, há conceitos cristãos claros, e as bandeiras –como a coexistência pacífica das religiões, e não o ecumenismo— são as mais evangélicas que conheci.

Há canções específicas em que o Evangelho é declarado de forma explícita, porém os que não são cristãos não a compreendem dessa forma. Dos primeiros CDs da banda até o consagrado “War”, as referências à fé predominam. Em “Boy”, o trabalho de estréia do U2, Bono canta em “I Will Folow” (“Eu Seguirei”): “I was on the outside when you said/ You needed me/ I was looking at myself/ I was blind, I could not see. (Eu estava por fora quando você disse. Preciso de você. Eu estava observando a mim mesmo/ Eu estava cego, não podia ver)”. Entre “Boy” e “War”, está “October”, considerado um dos trabalhos mais cristãos da banda.

Além das declarações de fé do U2, o testemunho público de Bono confirma o que ele canta. O envolvimento do vocalista no Jubileu 2000, movimento que propõe o perdão da dívida externa dos países africanos, o forçou a atrasar em um ano o lançamento do novo CD. Há 25 anos casado com a mesma mulher, Bono fala com presidentes, discursa, prega em seus shows usando o palco como púlpito. Em qualquer oportunidade, ele está chamando atenção para a pobreza e a injustiça social.

Tudo isso pode parecer novidade para nós, brasileiros, mas para irlandeses e americanos, a confissão de fé dos roqueiros do U2 é praticamente domínio público. Este fato está sendo corrigido com o lançamento de “Walk On A Jornada Espiritual do U2”, tradução do livro de Steve Stockman (Editora W4 Endonet). Neste ensaio, vemos a compilação de milhares de entrevistas de Bono Vox ao longo dos anos e descobrimos que ele mesmo parou de tocar no assunto igreja para evitar maiores transtornos pessoais e na carreira da banda. Mas há muitas outras coisas interessantes a conferir no livro.

O passado do jovem vocalista em Dublin, o tempo de escola bíblica, é um dos capítulos interessantes. Entendemos o que era o movimento evangélico daquele lugar naqueles tempos. Era o auge da guerra entre católicos e protestantes e a igreja não estava encerrada entre as quatros paredes do templo, e sim nas trincheiras. As canções não eram apenas de louvor, mas também de protesto por tamanha incoerência de ambos os lados da batalha. Quem não se lembra da cena de Sinéad O’Connor, a cantora careca de “Nothing Compares 2 U”, queimando a fotografia do Papa?

O U2 é um produto da Igreja, mas não para consumo interno. Hoje, vejo em Bono inúmeras expressões do Evangelho, e dos valores que aprendemos aos domingos (ou que deveríamos estar aprendendo), vejo a tentativa frutífera de atingir para além do gueto que criamos, para além dos muros do templo. E isso, convenhamos, assusta a qualquer um. Ao mesmo tempo revela uma coragem que a maioria dos nossos músicos maravilhosos não tem. Aqui eu escrevo sem ironia: nós, cristãos, abastecemos o setor fonográfico há anos, com músicos que, fora da igreja, ajudam a embalar multidões com boa música cantada por não-cristãos, enquanto dentro produzem canções muitas vezes repetitivas e sem criatividade, sem força para ir além do muitas vezes mesquinho e vazio mercado evangélico.

Não conheço Bono o suficiente para saber se ele é um exemplo a ser seguido, mas não posso ignorar a verdade de suas bandeiras. Quando assisto a um megashow como o que ele fez em São Paulo, considerado por muitos o maior show de rock da história do Brasil, não posso deixar de me sentir desafiado e de me identificar com a proposta desses malucos irlandeses. Como político, sempre rejeitei o gueto. Sempre me recusei a, como vereador, me restringir a ser um despachante de igreja, a viver de favores, fechado num mundinho autodenominado cristão.

Nunca entendi que Jesus pregava a salvação para aqueles que fossem “bonzinhos”. Entendi que o céu era para aqueles que acolhessem o estrangeiro, para os que desse água ao sedento, comida ao faminto. Talvez seja essa a pergunta perseguida por Bono: o que é a salvação? A julgar por algumas letras e discursos da banda, a salvação é sinônimo de humanização. A partir do momento em que nos tornamos mais humanos, mais parecidos com Jesus nos tornamos. E, acima de tudo, a salvação é para todos, não apenas para um grupo de iniciados.

Para concluir, o U2 nos ensina que o projeto de expressar os valores da Igreja para o além-muro pode dar certo, seja em canções, seja em políticas públicas. Não sei se poderia considerar heresia ouvir uma multidão como a que lotou o Morumbi cantando os versos de “40”, composição do CD “War”, na qual Bono é explícito em sua fé. Na música, ele diz: “You set my feet upon a rock. And made my footsteps firm. Many will see, many will see and hear (Você pôs meus pés sobre a rocha. E firmou os meus passos. Muitos verão, muitos verão, e ouvirão)”. Posso dar o testemunho de quem viu isso ao vivo, como eu. É emocionante. Ouvir o nome do Senhor exaltado dessa forma é de arrepiar.

CARLOS BEZERRA JR.
Original aqui

domingo, 26 de abril de 2009

A essencialidade do amor

Vivemos uma época em que as coisas periféricas da vida estão substituindo os conteúdos essenciais da fé cristã, desviando os crentes da prática de um cristianismo bíblico e simples. Hoje, um sem-número de demandas fazem com que nossa atenção, energias, dons e relacionamentos se desgastem nas notas de rodapé de uma religiosidade quase vazia.

Dentre as coisas essenciais da vida cristã, não há como perder de vista o amor. Preocupo-me quando apregoamos uma verdadeira espiritualidade, mas não amamos. Algo está muito errado quando a igreja não consegue chorar com os que choram ou quando nossos relacionamentos vão se tornando cada vez menos sinceros e mais utilitários. Parece que o mundo age com mais graça e misericórdia com o caído do que o povo de Deus, que deveria ajudá-lo a se erguer. Quando a igreja passa a definir sua experiência de fé a partir de seus ajuntamentos solenes, e não dos seus relacionamentos diários, é hora de parar e pensar sobre o que temos feito do Evangelho.

Ao escrever sua primeira carta à igreja de Corinto, Paulo reserva os capítulos 12 e 14 para explanar acerca dos dons espirituais, pois era um assunto de interesse e necessidade. Ali, o apóstolo elaborou um dos textos mais definidores da nossa fé, o de I Coríntios 13, que nos apresenta a centralidade do amor na vivência cristã. O escritor adverte a comunidade cristã sobre o risco de se construir uma igreja com aparência, forma e discurso espiritual, mas de fato carnal; uma igreja com a manifestação de dons espirituais, mas sem o essencial da fé. A mensagem é clara: o amor é superior aos dons. Sempre temo reler os três primeiros versículos deste capítulo, pois confrontam minha vida ao afirmar que posso ter dons espirituais, uma fé enorme ou praticar toda sorte de ações sociais e, no entanto, nada disso ser aproveitado caso seja feito sem amor. O amor, como aqui exposto, não é apenas superior aos dons, mas um marcador de nossa identidade cristã. Somos dele quando buscamos amar.

Isso significa que nossa vida em Cristo não pode ser definida puramente pelos dogmas que entendemos e aceitamos, por um lado, nem mesmo pelas experiências de espiritualidade que vivenciamos, por outro. Sem amor, uns e outras serão vazios de significado. Nossa vida em Cristo é definida pela presença do amor que não apenas é essencial como também é automanifesto. Para nosso temor e tremor, o Espírito descreve neste capítulo que o amor é perceptível, deixa marcas. Ele é prático, notável e visível. Ele é paciente, esperando pela hora oportuna para o outro; é benigno, fazendo com que a dor do vizinho seja também a nossa. Este amor não arde em ciúmes, portanto evita comparações e se nega a criticar o próximo. Torna-se, assim, impossível amar sem estas evidências, ou seja, sem que as marcas do amor sejam vistas pelos que passam pela mesma estrada que nós. Precisamos amar o próximo, no mínimo, para não criticá-lo. Este próximo, o outro, diferente de nós, é nossa base de testes, o cenário onde devemos aprender a praticar o ato mais sublime que vem do Pai.

O amor prova a espiritualidade. Somos naturalmente seres construtores de máscaras e tais máscaras tendem a esconder aquilo que é nitidamente carnal e vergonhoso. Assim, usando máscaras bem elaboradas, podemos falar sobre fé sem de fato crer; pregar contra o pecado sem intimamente repudiá-lo; expor sobre o amor e na manhã seguinte prejudicar o irmão. Um mecanismo que claramente prova nossa espiritualidade é este: atos de amor.

O oposto do amor também é evidente. Gera incrível tolerância com nossas próprias limitações e fraquezas e torna-se gravemente intolerante com o próximo. Desta forma, se alguém conversa com formalidade, é antipático; mas se nós o fazemos, somos respeitosos. Se alguém brada ao pregar, está sendo artificial. Se nós bradamos, contudo, é sinal de espiritualidade. Se alguém não faz algo, é preguiçoso; mas se somos nós que não fazemos, é porque somos ocupados. Se alguém contrai uma dívida, a nosso juízo é um irresponsável; contudo, se nós nos endividamos, é porque recebemos pouco. Se alguém discorda, é soberbo; mas, se nós discordamos, somos criteriosos.

Para nós, se alguém critica, ele o faz por estar tomado de inveja ou ciúmes. Se nós criticamos, no entanto, estamos sendo zelosos. Se alguém repete um sermão, está sendo desleixado; mas, se somos nós que incorremos nesta prática, é porque “Deus quer falar novamente ao seu povo”. Se alguém erra, pensamos assim: “Era de se esperar” – mas, se o erro é nosso, ora, errar é humano… Se alguém cai, temos pronta a opinião de que suas atitudes carnais já indicavam esta possibilidade. Mas se nós caímos, é porque o inimigo preparou-nos uma armadilha. Se alguém brinca, está sendo mundano. Se nós brincamos, somos informais. Se alguém ofende no falar, é descontrolado; se nós o fazemos, somos sinceros. E por aí vai. Sim, o amor testa a espiritualidade.

Do versículo nove em diante, vemos que o amor é um aprendizado. Eu era menino e agora sou homem; via de forma obscura e agora vejo claramente. Ou seja, amar é um processo, uma caminhada. Nós não nascemos amando.

Para amarmos devemos pedir que o Senhor nos ajude. O salmista, no Salmo 119.2, afirma que andará nos caminhos do Senhor quando Ele dilatar o seu coração. Precisamos de corações dilatados, abertos, prontos para amar. Peçamos ao Pai, pensando nos cenários diários de nossas vidas, dizendo: ensina-me a amar. Para amar precisarmos também nos desapegar daquilo que é incompatível com o amor. John Edwards, em seu livro Afeto religioso, nos fala sobre a incompatibilidade do amor com as palavras de agressão. Devemos nos desprender daquilo que pretere o amor em nossas vidas. Jamais amaremos enquanto nossa agenda diária estiver repleta de competitividade, ciúmes, falso zelo, comparações desnecessárias, soberba e agressões.

Lutero, citado por Mahaney em seu livro From Glory to Glory, nos disse que “esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.

Após pregar sobre os essenciais da nossa fé, na Igreja Konkomba de Gana em 1999, lembro-me que um dos crentes me procurou após o culto perguntando: “Por onde devo começar?” Fui para casa pensando nesta pergunta. No outro dia, o procurei e rapidamente encontrei-o embaixo de uma árvore rodeado por amigos em alegre conversa. Sentei-me ao seu lado e sussurrei no seu ouvido: “Comece procurando aquele com o qual você foi intolerante, e não amou como Cristo”. Após um minuto pensando, ele se levantou e saiu caminhando com passos curtos e lentos. Santa caminhada. Não é atitude fácil, mas certamente alegra o coração daquele que é Amor.

Ronaldo Lidório

Via Solomon1

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tomato

Outro ótimo vídeo do Rob Bell em sua série Nooma.


Tomato from Imago Dei on Vimeo.

Eu preciso morrer.